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domingo, 27 de dezembro de 2020

Entenda o que a ciência sabe sobre nova mutação do coronavírus

 

(foto: LOIC VENANCE/AFP)


Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Laboratório Nacional de Computação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) identificaram cinco mutações do que pode ser uma possível nova linhagem originária da subespécie B.1.1.28 do coronavírus circulando entre a população do Rio de Janeiro. Os detalhes da pesquisa e seus resultados ainda não foram divulgados em nenhuma revista científica.


“O monitoramento deve ser contínuo. De fato, o que temos de experiência em coronavírus em outras espécies, como animais domésticos, é que, ao longo do tempo, por um período mais estendido, por vezes, há mutações de vírus que conseguem suplantar os anticorpos e imunidades provenientes da vacina”, diz o pesquisador Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica – iniciativa da chamada RedeVírus MCTI, comitê que reúne especialistas, representantes do governo federal, de universidades e de agências de fomento à ciência.


Em nota, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro destaca que, dos 180 genomas do Sars-CoV-2 cujas amostras foram sequenciadas pelo Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis, 38 apresentaram mutações genéticas que indicam se tratar de uma nova linhagem.


  • Sem controle


O médico infectologista Carlos Starling, consultor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia e integrante do Comitê de Enfrentamento à COVID-19 em Belo Horizonte, acredita que as cepas estão circulando em todos os lugares do mundo, inclusive no Brasil, onde a saúde pública já sofria mesmo antes dos primeiros impactos da pandemia.


“No Brasil, estamos com epidemia completamente fora de controle e isso pode vir a agravar a nossa situação epidemiológica, aumentando o número de casos. Isso é muito preocupante”, afirma.


Segundo o especialista, basta uma questão de tempo para que a mutação encontrada na Inglaterra seja detectada.


“Para isso, precisamos de vigilância epidemiológica e sequenciamento viral mais intenso. Isso nós infelizmente não fazemos, que é o que faz com que essa cepa circule livremente em nosso país, mesmo sem ser detectada”, critica Starling.


  • Novas ocorrências fora do Reino Unido


Paris – Uma semana após o Reino Unido anunciar uma cepa do novo coronavírus com um grande número de mutações, França, Espanha, Itália, Holanda, Dinamarca e Austrália também confirmaram o surgimento dos primeiros casos em seus territórios e a ampliação de pessoas contaminadas com essa mutação.


As autoridades de saúde de Madri detectaram quatro casos da nova cepa de COVID-19 descoberta no Reino Unido, informou ontem o governo regional, confirmando, assim, as primeiras infecções da variante na Espanha. Os quatro casos estão vinculados a pessoas que chegaram recentemente do Reino Unido, afirmou Antonio Zapatero, vice-conselheiro de Saúde Pública da região de Madrid, em entrevista coletiva.


“A situação dos pacientes confirmados não é grave, sabemos que a cepa é mais transmissível, mas não provoca gravidade”, disse. “Não se deve tomar a notícia com nenhum tipo de nervosismo”, completou Zapatero. O país tem outros três casos suspeitos da variante, mas ainda aguarda os resultados dos exames. França e Espanha também confirmaram casos positivos da nova variante do vírus, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a Dinamarca registrou nove pessoas infectadas e Austrália e Holanda um cada. 


A nova cepa de COVID-19 pode ser até 70% mais contagiosa, de acordo com estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.


  • Sequenciamento


Um primeiro caso da nova cepa de COVID-19 que surgiu no Reino Unido foi detectado na sexta-feira em Tours, Centro da França, anunciou o Ministério da Saúde francês. O primeiro caso positivo confirmado da nova variante do vírus foi detectado em um francês residente no Reino Unido e que está assintomático, informou o ministério em comunicado, dizendo que o contagiado foi isolado em quarentena.


Segundo o previsto no protocolo implantado após a descoberta dessa cepa, possivelmente mais contagiosa, no Sudeste da Inglaterra, foi solicitado um “sequenciamento” do vírus que contagiou o cidadão francês ao Centro Nacional de Referência de Vírus e Infecções Respiratórias (CNR).


A Itália também anunciou ontem que seis pessoas testaram positivo para a nova cepa de COVID-19 depois que chegaram à Itália nos últimos dias procedentes de Londres, o que elevou a mais de 10 o número de casos no país. 


Os recentes casos envolvem passageiros que fizeram testes no Aeroporto Capodichino, em Nápoles, poucos dias antes da suspensão dos voos procedentes do Reino Unido, anunciou o presidente da região da Campania, Vincenzo de Luca. 


Também foram detectados três casos na região de Veneza na véspera de Natal, dois na região de Puglia (Sul) e outros dois, que ainda precisam ser confirmados, em Abruzo, a leste da capital, Roma.


Japão fecha fronteiras


O governo japonês não permitirá a entrada em seu território de estrangeiros não residentes a partir de amanhã. A medida, que valerá até o fim de janeiro, foi imposta após o país constatar os primeiros casos de contágio pela nova cepa de COVID-19. Atualmente, o Japão restringe a entrada de estrangeiros da maioria dos países pelo temor do vírus e exige que todos os visitantes respeitem uma quarentena em sua chegada. Agora, Tóquio planeja endurecer os requisitos: tanto os passageiros japoneses como os residentes estrangeiros procedentes de países que constataram a presença da nova cepa devem passar por um teste em um prazo de 72 horas após sua partida e novamente ao chegar aos aeroportos nipônicos. Na véspera, o primeiro-ministro, Yoshihide Suga, disse que “as infecções não estão diminuindo” e se o país continuar assim, não será capaz de evitar nova onda. “Se não reduzirmos as infecções agora, uma vez que aumentem novamente após o período de ano-novo, não será fácil mudar a tendência de queda”, disse ele.


  • O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte. 


  • Como a COVID-19 é transmitida? 


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


  • Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.


  • Quais os sintomas do coronavírus?


Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal


Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 










Fonte: Estado de Minas (EM)

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