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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Covid-19: Manaus vive colapso com hospitais sem oxigênio, doentes levados a outros estados

 A média móvel de mortes no estado cresceu 183% nos últimos sete dias. O envio de oxigênio ao estado não está sendo suficiente para suprir a demanda, e o governo está transferindo pacientes a outros estados.

Oxigênio sendo recebido no Hospital Getúlio Vargas em Manaus 
Foto: Matheus Castro/G1

Manaus vive uma crise sem precedentes com o avanço dos casos de Covid-19. Com internações batendo recordes, unidades de saúde ficaram sem oxigênio. O estado está sendo obrigado a enviar pacientes para outros estados. Os cemitérios também estão lotados, tiveram o horário de funcionamento ampliado e instalaram câmaras frigoríficas. Para frear o vírus, o governo decidiu proibir a circulação de pessoas entre 19h e 6h em Manaus.


A média móvel de mortes cresceu 183% no Amazonas nos últimos 7 dias. Até esta quarta-feira (13), mais de 219 mil pessoas haviam sido infectadas pela Covid em todo o estado, e mais de 5,8 mil morreram com a doença.


O número de internações pela doença em Manaus chegou a 2.221, de 1º a 12 de janeiro. O índice máximo anterior havia sido registrado em abril do ano passado, com 2.128 pacientes internados. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitou o Amazonas nesta semana e afirmou que Manaus é "prioridade nacional neste momento".


Na terça-feira, a Fiocruz divulgou que uma nova variante do coronavírus que causa a Covid-19 foi encontrada no Amazonas. Trata-se da mesma variante que chegou ao Japão após viajantes passarem pelo estado.


A médica residente Gabriela Oliveira, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), disse que a situação está caótica. Os profissionais da saúde falam em cenário de guerra.


"O que eu vivi hoje, nem nos meus piores pesadelos eu pensei que poderia acontecer. Não ter como assistir paciente, não ter palavras para acalentar um familiar. Isso é uma coisa que vai ficar uma cicatriz eterna nos nossos corações", contou.


Uma das razões para o colapso do sistema de saúde é o consumo de oxigênio por pacientes de leitos clínicos, segundo o Coronel Franco Duarte, representante do Ministério da Saúde. "Aquele paciente que não está no leito de UTI é o que consome mais, porque ele fica ao lado do regulador de oxigênio. A sensação é de falta de ar, e você abrindo o acesso ao oxigênio, você tem a sensação de bem-estar, mas, em contrapartida, aumenta muito essa demanda", disse Duarte.

Foto: Bruno Kelly/Reuters

Toque de recolher


O governador Wilson Lima anunciou, nesta quinta-feira (14), um decreto que proíbe a circulação de pessoas em Manaus entre 19h e 6h. Todas as atividades, exceto serviços essenciais para a vida, também estarão proibidos de abrir. A medida deve valer a partir da publicação do decreto, prevista ainda para esta quinta. Entre as medidas, estão:

  • suspensão do transporte coletivo de passageiros entre rodovias e rios do estado
  • fechamento de todas as atividades e circulação de pessoas entre 19h e 6h; só pode sair de casa quem trabalha em áreas estratégicas: saúde, segurança pública, imprensa
  • funcionamento de farmácias entre 19h e 6h, por delivery ou sob demanda


Restrições já adotadas


No final do ano passado, comerciantes e empresários fizeram protesto após o governo decretar limitações na circulação: o aumento de casos de Covid já era esperado após as festas de Natal e Ano Novo. No dia seguinte à manifestação, o decreto foi suspenso. Por determinação da Justiça, as restrições foram publicadas.


Desde o dia 2 de janeiro deste ano, atividades do comércio não essencial estão proibidas, com previsão de interdições e multas diárias de até R$ 50 mil. Além do comércio geral fechado, restaurantes só podem funcionar para delivery e estão proibidas festas e reuniões. As medidas valem por 15 dias, mas podem ser prorrogadas.


Na terça (12), o governo do Amazonas proibiu o funcionamento de academias e o transporte intermunicipal de passageiros.


Cemitérios lotados


Manaus registrou 198 enterros nesta quarta e bateu recorde de sepultamentos diários pelo quarto dia consecutivo. Desse total, 87 enterros tiveram a causa declarada como Covid-19. Com aumento da demanda, a Prefeitura de Manaus ampliou horário do funcionamento dos cemitérios até as 18h.


Além disso, foram instaladas duas câmaras frigoríficas no cemitério público Nossa Senhora Aparecida, conhecido como Cemitério do Tarumã. O objetivo é manter conservados os corpos de vítimas que morrerem nos horários em que os cemitérios estão fechados.


As câmaras têm capacidade para armazenar até 60 caixões e começarão a ser utilizadas a partir desta quinta-feira.


A última vez que Manaus teve tantos enterros, de causas em geral, foi em 26 de abril, com 140 registros (com dados apenas de espaços públicos). Na época, o estado enfrentava a primeira onda da doença, e sofreu colapsos no sistema público de saúde e funerário.












Fonte: G1 Amazonas

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