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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Marinha do Brasil reinaugura na próxima semana a Estação Antártica Comandante Ferraz

Reprodução Defesa TV
A Marinha do Brasil (MB) reinaugura, no próximo dia 14 de janeiro, a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). As novas edificações configuram uma área de aproximadamente 4.500m2.

Destaca-se neste novo projeto arquitetônico a substancial ampliação da capacidade de pesquisa da nova estação em comparação à antiga, saindo de quatro para dezessete laboratórios no total.

Eles foram projetados e equipados para atender a uma multiplicidade de necessidades da comunidade científica brasileira, dentre os quais destaca-se: meteorologia, biociências, química, microbiologia, biologia molecular, bioensaios e de múltiplo uso. O prédio principal da EACF está dividido em três grandes blocos, distribuídos da seguinte forma:

  • Bloco Leste: destinado às pesquisas, convívio e serviços da EACF. Nele, estarão 14 laboratórios, refeitórios, cozinha, setor de saúde, sala de secagem e oficinas;
  • Bloco Oeste: setor privativo e de convívio dos hóspedes da estação, onde estão instalados os 32 camarotes, uma biblioteca, uma academia e sala de vídeo/auditório. Em seus níveis inferiores, encontram-se os paióis de mantimentos e os tanques de água potável e para combate a incêndio; e
  • Bloco Técnico: responsável por todo o controle e demanda da rede elétrica, sanitária e automação da estação, além de possuir espaço destinado à garagem de viaturas. É composto, dentre outros, por estação de tratamento de água e esgoto, praça de máquinas, geradores, sistema de aquecimento de água, setor de tratamento e incinerador de lixo e paióis diversos.


A execução de obras no continente antártico é uma atividade complexa, que envolve uma grande quantidade de variáveis, levadas em consideração para que a construção do empreendimento pudesse transcorrer com o menor número de imprevistos.

Em razão das condições severas do clima da região, as obras foram planejadas para ocorrer somente no período do verão antártico, situado entre os meses de outubro e abril. Dessa forma, foram necessários três anos para que as instalações da EACF atingissem o ponto que permitiu sua operação com segurança, o que ocorreu em março de 2019.

No entanto, em função da necessidade do comissionamento e teste dos novos sistemas, além do adequado treinamento do Grupo-Base, optou-se pela inauguração no início de 2020.

Nesse período da construção, estiveram envolvidos, direta e indiretamente, diversos colaboradores, dentre os quais destacam-se os engenheiros e operários da empresa China National Electronic Imports and Exports Corporation (CEIEC), chegando a somar 263 na área da estação no verão de 2018/2019.

Desde a decisão pela reconstrução da EACF, tomada logo após o incêndio da antiga estação, decorreram várias fases até que tudo estivesse pronto para a inauguração. Dentre essas fases destacam-se:

  • – Em agosto de 2015 – Assinatura do contrato de construção em agosto de 2015 com a empresa CEIEC;
  • – De janeiro a fevereiro de 2016 – Execução de serviços geológico-geotécnicos complementares na área da construção na Antártica, a fim de adequar o projeto às características geológicas da região;
  • – De março a novembro de 2016 – Fabricação, na China, das fundações e estruturas. Nesse período foi feita a montagem em Xangai de um modelo em escala natural das instalações (MOCKUP), de forma a verificar e solucionar possíveis problemas de projeto e construção;
  • – De dezembro de 2016 a março de 2017 – Execução das obras de fundação na Antártica. As edificações utilizam fundações em blocos de concreto que, devido às dimensões e peso final, foram fabricados em peças prismáticas menores, as quais foram montadas diretamente nas cavas, cujas profundidades variam em torno de 2,0 metros;
  • – De abril a outubro de 2017 – Fabricação e pré-montagem da estação ainda na China. Nesta fase, toda a estrutura e todos os módulos foram fabricados e pré-montados. Em seguida, foram desmontados e preparados para transporte ao continente antártico. A pré-montagem foi utilizada para minimizar os riscos de falta de material e para reduzir a possibilidade de problemas durante a montagem;
  • – De dezembro de 2017 a março de 2018 – Fase 1 de montagem da EACF na Antártica. Os trabalhos foram iniciados pelo Bloco Oeste da estação. Ao final do verão, este bloco foi parcialmente concluído. Além disso, o Bloco Leste teve sua estrutura inferior montada e os Módulos Isolados de Comunicações, Meteorologia e Ozônio e deVery Low Frequency (VLF) foram instalados;
  • – De setembro a outubro de 2018 – Pré-montagem de equipamentos e conclusão de serviços internos nos módulos da estação;
  • – De novembro de 2018 a abril de 2019 – Fase 2 de montagem da EACF na Antártica. Foram instalados os blocos leste e técnico e finalizadas as redes e infraestrutura externa, a instalação dos aerogeradores e a construção da Área de Pouso Administrativo; e
  • – De abril de 2019 a março de 2020 – Realização dos testes de aceitação, comissionamento dos sistemas e equipamentos e o treinamento do Grupo-Base “FERRAZ” para a operação emanutenção da EACF durante o inverno de 2020.

Histórico

Desde a primeira vez em que o Brasil foi à Antártica, no verão de 1982-83, até os dias de hoje, o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) tem contribuído sobremaneira para o desenvolvimento da ciência antártica.

O PROANTAR foi criado em janeiro de 1982 e, naquele mesmo ano, a MB adquiriu o navio polar dinamarquês “Thala Dan”, apropriado para o trabalho nas regiões polares, recebendo o nome de Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Barão de Teffé”.

No início de dezembro de 1982, o navio suspendeu, pela primeira vez, com a tarefa básica de realizar um reconhecimento hidrográfico, oceanográfico e meteorológico de áreas do setor noroeste da Antártica e selecionar o local onde seria instalada a futura Estação Brasileira.

O sucesso da Operação Antártica I, resultou no reconhecimento internacional de nossa presença na Antártica, o que permitiu, em 12 de setembro de 1983, a aceitação do Brasil como Parte Consultiva do Tratado da Antártica.

Na Operação Antártica II, realizada no verão de 1983-84, as principais tarefas foram o transporte, a escolha de local e a implantação da Estação Brasileira. Em 06 de fevereiro de 1984, foi instalada a Estação Antártica “Comandante Ferraz” (EACF), na Península Keller, Baía do Almirantado, Ilha Rei George, Ilhas Shetlands do Sul.

A primeira equipe, composta de doze homens, guarneceu os 8 módulos da EACF, durante 32 dias, no período de verão, deixando-a desativada até o início da próxima Operação.

A EACF foi ampliada, passando para 33 módulos no ano seguinte. O evento de maior importância veio a ocorrer em 1986, na Operação Antártica IV, com o início da ocupação permanente da Estação durante os 365 dias do ano, representando o ápice de um esforço contínuo e progressivo, desenvolvido desde o início das atividades.

Após 28 anos apoiando a comunidade científica, a estação sofreu, na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2012, um incêndio que afetou 70% de suas instalações. Permaneceram intactos os refúgios (módulos isolados para casos de emergência); os laboratórios de meteorologia, de química e de estudo da alta atmosfera; os tanques de combustíveis; dois módulos de captação de água doce; a Estação Rádio de Emergência e o heliponto, que são estruturas isoladas da principal.

Apesar do incidente, as pesquisas científicas prosseguiram com os recursos disponíveis, o NPo ”Almirante Maximiano”, NapOc “Ary Rongel” e os laboratórios que não foram afetados pelo incidente.

Além disso, a comunidade científica nacional, amparada pelas manifestações de solidariedade enviadas por instituições de outros países com os quais o Brasil tem sólida cooperação na Antártica, procurou parcerias com o fito de desenvolver atividades conjuntas, bem como utilizar suas estações antárticas, durante o tempo de reconstrução da EACF.

Iniciada no dia 6 de outubro de 2012, a Operação Antártica XXXI foi considerada como a Operação mais complexa já realizada na região Antártica pelo Brasil, em razão dos aspectos logísticos e operacionais que envolveram elevado número de recursos humanos e meios materiais.

Durante a OPERANTAR XXXI, o PROANTAR retirou todos os escombros e resíduos da EACF, efetuou a montagem dos Módulos Antárticos Emergenciais, que servirá para apoio das atividades enquanto a futura Estação estiver em construção, e, ainda, em conjunto com a comunidade científica, concebeu uma nova Estação Antártica com instalações modernas e adequadas às demandas científicas para os próximos anos, à altura da sexta economia do mundo, posição hoje ocupada pelo Brasil.

Com o objetivo de garantir a preservação ambiental na Antártica, cumprindo as regras contidas no Protocolo de Madri, o PROANTAR adotou uma série de diretrizes e ações preventivas.

Todas as atividades desenvolvidas na remoção dos escombros foram realizadas sob a supervisão de representantes do Ministério do Meio Ambiente e de inspetores de outros países, além de todos os resíduos gerados pelo incêndio, num total de cerca de 900 toneladas coletadas seletivamente, foram trazidos ao Brasil.

O nome da Estação

O nome da Estação Brasileira na Antártica é uma homenagem ao Capitão de Fragata LUIZ ANTÔNIO DE CARVALHO FERRAZ. Nascido em 21 de fevereiro de 1940, em São Luís, Maranhão, aperfeiçoado em Hidrografia, Bacharel e mestre em Ciências, com especialização em Oceanografia (Naval Postgraduate School, Monterrey, EUA).

Esteve no ártico e fez parte das tripulações dos navios ingleses Bransfields e Endurance, em viagem a Antártica (1975), participou de diversos simpósios e representou o Brasil em inúmeros conclaves internacionais.

Tomou parte da comissão de inspeção a navios de pesquisa polar, que indicou o Navio ex-Thala Dan (NApOc Barão de Teffé), para aquisição por parte da Marinha do Brasil, e foi membro da subcomissão encarregada de elaborar o projeto do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), sob a responsabilidade da SECIRM.



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