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domingo, 24 de novembro de 2019

Falta de sono estimula área do cérebro que aumenta a ansiedade

Noites maldormidas tendem a desencadear sentimentos de preocupação e tensão, que criam uma espécie de círculo vicioso ao longo do tempo

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Dormir poucas horas por noite afeta um complexo sistema cerebral e pode levar ao desenvolvimento de ansiedade, um transtorno que afeta mais ainda a qualidade do sono.

Estudos apontam que 80% dos brasileiros têm alguma queixa relacionada ao sono. Além disso, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos recomenda que adultos devem dormir entre sete e nove horas por noite. Acima de 65 anos, entre sete e oito horas. 

A neurologista Andrea Bacelar, presidente da Associação Brasileira do Sono, afirma que insônia e ansiedade andam lado a lado. Segundo a médica, quando temos uma boa noite de sono, ao despertar, o sistema de recompensas do cérebro é ativado. "Você se sente satisfeito fisicamente e mentalmente para viver aquele dia", explica.

Por outro lado, uma noite maldormida tem um efeito prejudicial. "No momento em que começo a ter um débito de sono cumulativo, sem fazer a limpeza necessária do cérebro, começo a ter estímulos ansiogênicos, que geram ansiedade, tensão, preocupação."

Uma pesquisa de 2015, da Universidade de Tel Aviv, mostrou que as amígdalas cerebelosas, área cerebral que, entre outras funções, é o centro identificador do perigo, é ativada em excesso quando existe falta de sono.

"Sem dormir, o mero reconhecimento do que é um evento emocional e do que é um evento neutro é interrompido. Podemos experimentar provocações emocionais semelhantes em todos os eventos que chegam, mesmo neutros, e perder nossa capacidade de classificar informações mais ou menos importantes. Isso pode levar ao processamento cognitivo tendencioso e a um julgamento ruim, bem como à ansiedade", observaram os pesquisadores.

Com a alteração na amígdala, os hormônios que servem para os momentos de possíveis ameaças são liberados sem necessidade, fazendo com que a pessoa sinta efeitos físicos típicos da ansiedade, como coração acelerado, sensação de falta de ar, suor nas mãos, boca seca, desconforto abdominal, calafrios e náuseas.

O resultado disso é que indivíduos com dificuldade para dormir costumam ter mais irritabilidade, dificuldade de concentração, tornam-se esquecidos, causam acidentes, entre outras complicações.

O problema é que para tentar driblar o cansaço pela falta de sono, muitas pessoas recorrem a estimulantes, ambientes barulhentos, cafeína, o que vai prejudicar ainda mais o sono na noite seguinte.

"À noite, em fadiga, exaustas, algumas pessoas conseguem dormir, mas outras não. Esse estímulo nos neurotransmissores de alerta e vigília não as deixa dormir", observa a médica. É aí que os distúrbios de sono começam a exigir atenção. "A pessoa entra em um círculo vicioso, inadequado, prejudicial e promotor de doença", ressalta.

O que vem antes: insônia ou ansiedade?

Primeiramente, é preciso entender que a insônia é caracterizada pela dificuldade para iniciar e manter o sono e/ou despertar precocemente, gerando complicações e queixas diurnas, em ao menos três vezes por semana, por pelo menos três meses.

Existe uma mão de via dupla quando se fala na relação da insônia com a ansiedade. A primeira possibilidade é de indivíduos que já tenham predisposição a ter algum transtorno ansioso e, consequentemente, sejam afetados também por problemas para dormir.

Uma vez identificadas a insônia e a ansiedade, elas devem ser tratadas simultaneamente. Por esse motivo, é contraindicado que pessoas com problemas frequentes para pegar no sono tomem remédios para náuseas e anti-alérgicos, que costumam causar sonolência, ou até mesmo ansiolíticos (tarjas preta).

"A gente tem que avaliar como comorbidade, ou seja, tem a ansiedade e o problema de sono, tem que tratar os dois com o mesmo peso e a mesma preocupação. Se tratar só a insônia, continua o gatilho para manter a ansiedade e ela interferir de novo no sono. Se trata só a ansiedade, não consegue dormir. Continua a ter o transtorno do sono e novamente agrava a ansiedade", explica Andrea.

As vendas de um único tipo de remédio para dormir cresceram 560% em oito anos no país.

O medicamento, afirma Andrea Bacelar, pode ser usado, mas sempre deve ser prescrito por um médico que esteja acompanhando o tratamento da insônia e da ansiedade. "A automedicação não ajuda em nada a melhorar esse quadro."

A necessidade de procurar tratamento deve ser objeto de autoavaliação, acrescenta a neurologista. 

"O problema é que muitas vezes as pessoas não fazem essa analogia. Não associam irritação, mau humor, sonolência, estou me acidentando, perdendo coisas, não me concentro. Não sabem que isso pode ter uma correlação direta com o tempo ou a qualidade de sono."





 R7

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