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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Remoção de apêndice aumenta risco da doença de Parkinson, diz estudo

Resultado contraria estudo anterior, publicado em 2018, que dizia o oposto; pesquisadores encontraram a associação após analisar 62 milhões pessoas
Pixabay
A remoção do apêndice aumenta o risco da doença de Parkinson, segundo um estudo da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos, que será apresentado no Encontro da Sociedade de Cirurgia do Aparelho Digestivo no próximo dia 21, na Califórnia.

Os resultados da pesquisa sugerem que o risco de desenvolver a doença é três vezes maior em pessoas que fizeram apendicectomia, a cirurgia de retirada do órgão, do que aquelas que não o fizeram, independentemente da idade, sexo e raça.

Um estudo anterior da instituto Van Andel Research, em Michigan, nos Estados Unidos, publicado no ano passado, dizia o contrário: que a remoção do apêndice reduzia em 19% o risco da doença.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 62 milhões de pacientes a partir de um banco de dados de 26 grandes sistemas de saúde dos Estados Unidos. Como esse banco coleta informações desde 1997, alguns pacientes foram acompanhados por quase 30 anos.

Dentro desse universo, selecionaram pessoas que removeram o apêndice e aquelas que desenvolveram a doença de Parkinson pelo menos seis meses depois da cirurgia.

Eles descobriram que, entre os 488 mil pacientes que tiveram seus apêndices removidos, 4 mil desenvolveram a doença, o que corresponde a 0,9%.

Já entre os 61,7 milhões que não fizeram a operação, apenas cerca de 177 mil tiveram o problema mais tarde, o equivalente a 0,3%.

Embora o estudo tenha encontrado uma associação entre a apendicectomia e o risco de desenvolver a doença de Parkinson, esse risco ainda é muito baixo - de menos de 1%.

A pesquisa, portanto, ainda não prova que ter o apêndice removido causa a doença de Parkinson. "Neste momento, ainda é uma associação e não uma descoberta de causa e efeito", afirmou Gregory Cooper, professor de medicina na Universidade Case Western Reserve e um dos autores do estudo ao site Live Science. 

Uma hipótese para o aumento de risco encontrado nesse estudo é que durante a apendicectomia, um agente específico, chamado de proteínas alfa-sinucleína, é liberado no corpo e viaja até o cérebro. Essas proteínas formam aglomerados chamados corpos de Lewy, que sinalizam a doença de Parkinson.

Outra hipótese levantada é que a doença, que é neurológica e progressiva, começa a se manifestar 20 anos antes dos conhecidos tremores por meio de discretos sintomas como constipação e outros problemas digestivos. Esses sintomas podem aumentar o risco de apendicite, uma inflamação do apêndice que leva à apendicectomia.

Assim, pode ser que esses sintomas, da própria doença de Parkinson, estejam causando a apendicite e a cirurgia subsequente, e não o contrário.



R7

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