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sexta-feira, 22 de março de 2019

Seeduc afasta professor do Liceu por charge com Bolsonaro e Trump

A secretaria de Estado de Educação afastou, nesta sexta-feira (22), o professor do Liceu de Humanidades de Campos que aplicou uma atividade em uma aula de Português, onde alunos do 3º ano do Ensino Médio deveriam comentar uma charge na qual aparecem o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), e o dos Estados Unidos, Donald Trump, na cama, embaixo de cobertores, com a bandeira estadunidense ao fundo. 

O docente informou que recebeu uma ligação da diretora da escola, por volta das 7h, solicitando que ele não comparecesse ao trabalho. O professor disse, ainda, que procurou a Coordenadoria Regional de Educação, assistido por uma advogada, e foi orientado a aguardar uma decisão sobre a situação, que não teria previsão para acontecer. Segundo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ), a regional teria informado que não houve afastamento oficial, mas o professor foi convidado a não dar aula para “acalmar os ânimos”. O docente e representantes do Sepe serão recebidos, nesta tarde, pelo presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Flávio Serafini (Psol).

A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) afirmou que tomou a decisão de suspender o professor na última quinta-feira, no entanto, desde quarta-feira comunicou à imprensa a decisão tomada. "Nesta sexta-feira, dia 22, foi aberta uma sindicância para apurar o caso. A partir de então, o professor ficará afastado das atividades até a conclusão do processo. Um docente será alocado para ministrar as aulas, sem necessidade de interrupção das atividades e do conteúdo da disciplina", informou em nota.

A atividade, apresentada, na última quarta-feira (20), pedia que os estudantes do 3ª ano do ensino comentassem uma charge na qual aparecem o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), e o dos Estados Unidos, Donald Trump, na cama, embaixo de cobertores, com a bandeira estadunidense ao fundo. O trabalho foi fotografado por um aluno e divulgado nas redes sociais por grupos que defenderam a punição do docente por considerarem que apresentava conteúdo impróprio. As mensagens afirmavam que a ação faria parte de uma tentativa de doutrinação por parte de um movimento político de esquerda. Alguns comentários contestam, inclusive, se a imagem poderia ser apresentada a alunos adolescentes. Outros consideram que a atividade deveria gerar, inclusive, um processo ao professor. Também teve quem defendesse o direito do professor, salientando que charges políticas sempre foram usadas em atividades acadêmicas.

Nesta quinta, o professor, que pediu para não ser identificado, falou à Folha que, desde que o trabalho proposto em sala de aula foi divulgado nas redes sociais, uma série de agressões e ameaças começaram a chegar até ele: “Eu já estou sendo assistido por alguns órgãos de representação e nós vamos acionar juridicamente quem compartilhou essas imagens fora de contexto, atribuindo crimes a mim”, informou.

— O trabalho foi apresentado dentro de um contexto. Os alunos foram instruídos a identificar o humor, a ironia, que são figuras de linguagem muito comuns de texto. A charge é prevista na grade curricular desde a 8ª série. A charge trata de um contexto político amplamente divulgado na mídia do mundo inteiro. Assim, sua análise (contra ou favorável) ficou a critério única e exclusivamente dos alunos, usando para isso, seus próprios argumentos, não havendo assim, doutrinação — explicou o professor.


Por Folha 1

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