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quinta-feira, 21 de março de 2019

Professor do Liceu afastado após atividade com charge de Bolsonaro e Trump

Charge de Vitor Teixeira publicada em 19 de outubro de 2017 no site "Humor Político"
Um professor do Liceu de Humanidades de Campos foi afastado pela secretaria de Estado de Educação (Seeduc) após aplicar uma atividade na aula de Português a alunos do 3º ano do Ensino Médio, que levantou polêmica nas redes sociais nesta quarta-feira (20). Os estudantes deveriam comentar sobre uma charge na qual aparecem o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), e o dos Estados Unidos, Donald Trump, na cama, embaixo de cobertores, com a bandeira estadunidense ao fundo. A imagem é acompanhada pela legenda “O Patriota”. Assinada pelas inicias V. T. (Vitor Teixeira), a charge é datada de 2017 e pode ser encontrada no site “Humor Político”.

A unidade escolar afirmou que qualquer posicionamento só seria realizado por meio do setor de comunicação da secretaria de Educação. Em nota, a Seeduc informou “que será instaurada uma sindicância para apurar o caso. O professor ficará afastado das atividades até a conclusão do processo”.

Também nesta quarta, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), criou um grupo que será responsável por decidir as questões que entrarão ou não no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A medida consta de portaria publicada no Diário Oficial da União.

Em Campos, mensagens compartilhando a foto da atividade aplicada aos alunos do Liceu afirmavam que a ação faria parte de uma tentativa de doutrinação por parte de um movimento político de esquerda. Alguns comentários contestam, inclusive, se a imagem poderia ser apresentada a alunos adolescentes, por apresentar conteúdo considerado impróprio. Outros consideram que a atividade deveria gerar, inclusive, um processo ao professor. Também teve quem defendesse o direito do professor, salientando que charges políticas sempre foram usadas em atividades. 

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) se manifestou em apoio ao docente. “Nós defendemos a autonomia pedagógica na sala de aula para que o professor trabalhe com o aluno da maneira que seja melhor para a compreensão do conteúdo”, afirmou a diretora do sindicato, Graciete Santana.

O sindicato classificou, ainda, a ação como perseguição aos professores, o que estaria ocorrendo de forma recorrente. “Essa acusação é totalmente infundada. Isso não é doutrinação, qualquer professor pode trabalhar com charge na sala de aula e o aluno fazer a sua leitura a partir da charge”, defendeu Graciete.

Enem — O grupo criado nesta quarta é composto pelo secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Marco Antônio Barroso, pelo diretor de Estudos Educacionais do Inep, Antonio Maurício das Neves, e por Gilberto Callado de Oliveira, representante da sociedade civil.

Eles serão responsáveis por recomendar a não utilização de itens na montagem do exame, me-diante justificativa. A análise passará depois pelo diretor de Avaliação da Educação Básica, Paulo Cesar Teixeira, que deverá emitir um contra parecer para cada um desses itens. A decisão final da utilização ou não caberá ao presidente do Inep, Marcus Vinícius Rodrigues.

A portaria estipula o prazo de dez dias para que isso seja feito. A comissão terá acesso ao ambiente de segurança onde é elaborado o exame: “Os especialistas da comissão são nomes reconhecidos e que podem contribuir para a elaboração de uma prova com itens que contemplem, não apenas todos os aspectos técnicos formais, mas também ecoem as expectativas da sociedade em torno de uma educação para o desenvolvimento de um novo projeto de país”, diz, em nota, o presidente do Inep.
Atividade aplicada no Liceu, que circula nas redes sociais / Reprodução


Folha 1

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