Mau uso da máscara, obrigatória no Rio, ameaça combate à pandemia na retomada das atividades na cidade - CMN - Campos Magazine News

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Mau uso da máscara, obrigatória no Rio, ameaça combate à pandemia na retomada das atividades na cidade

Acessório obrigatório no município desde 18 de abril, a máscara virou protagonista no “novo normal” carioca, ainda mais desde a retomada gradual das atividades econômicas na cidade, na semana passada. Mas a presença do item, fundamental para evitar contaminação pelo coronavírus, não é necessariamente sinônimo de proteção. Ainda mais diante do aumento de pessoas nas ruas. 

De acordo com o Cyberlabs, que, em parceria com a prefeitura, faz a contagem da população por imagens de 800 câmeras, o isolamento caiu de 82% nos dois últimos domingos para 76% ontem. Pela cidade, era visível o desconforto de muita gente com a máscara, que vem sendo usada de forma ineficaz, como pendurada numa orelha ou no pescoço.
Foto: Leo Martins / Extra
Máscara no queixo

O designer Caio Burello, de 28 anos, que ontem usava a sua presa no queixo, deixando boca e nariz desprotegidos, acredita que vai se acostumar, mas diz que ainda precisa retirá-la em alguns momentos.
  
Tirei agora para correr e respirar, porque me sufoca. Tenho o costume de usar a descartável para praticar exercícios físicos. No dia a dia, uso a de pano, que é mais segura — diz.

Mas a presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio, Tânia Vergara, alerta:

Tem que cobrir nariz e boca. Esse negócio de colocar embaixo do nariz e do queixo não protege nada nem ninguém — garante.

A especialista lembra ainda que se deve evitar falar muito (porque isso umedece a máscara mais rápido) e trocar por uma limpinha a cada, no máximo, três horas.

Ao sair de casa, se você vai ficar dez horas fora, deve levar pelo menos cinco máscaras. Umedeceu, retira pelo elástico e coloca no saquinho. Em casa, lava tudo, seca e passa para usar no dia seguinte — ensina.

Mas, além dos frequentes tropeços em regras básicas de manipulação da máscara — mão na boca, no nariz, no olho —, ainda tem gente, como o vendedor Rômulo Honorato, que simplesmente decidiu ignorar a “regra de ouro”, como chama a Prefeitura do Rio:

Incomoda demais. Às vezes, esqueço ela no meu queixo, porque me atrapalha a falar, respirar e ter uma observação melhor.

Multas e notificações

A Subsecretaria de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses, subordinada à Secretaria municipal de Saúde, diz que, em três semanas, emitiu 643 autos de infrações (cerca de 10% por falta da máscara) e mais de duas mil notificações a pedestres que só colocaram a proteção ao ver a aproximação dos agentes. Só nesse fim de semana na Barra da Tijuca e no Recreio, o órgão contabilizou 134 advertências a pessoas vestiram a máscara apenas para evitar multa, na Barra da Tijuca e no Recreio.

A multa por não usar a máscara é de R$ 107 aplicada pelo CPF. Para estabelecimentos flagrados com consumidores e funcionários sem máscara, a multa vai de R$ 590 a R$ 2.696,20, com base na complexidade e risco de cada atividade.

Mais mortes, mas sem fila na rede municipal

Nesse domingo, o estado do Rio chegou a 6.707 mortes por Covid-19 e 67.756 diagnósticos positivos da doença desde março, com mais 3.323 casos e 68 óbitos em 24 horas. Das novas mortes, 61 ocorreram na capital, onde foram mais 412 casos foram confirmados. Apesar dos números ainda crescentes, a Prefeitura do Rio informou que o a ocupação dos leitos de UTI caiu a 87% e, de enfermaria, a 51%.

Dados divulgados pelo estado e pela prefeitura do Rio mostram que, desde a manhã do dia 30 de maio até a manhã de ontem, o número de internados com Covid-19 ou suspeita dela em leitos de enfermaria e UTI nas redes públicas registrou queda de cerca de 7: de 4.139 para 3.854.

Nesse domingo, mais uma vez, o município afirmou que não há fila por vagas, mas acrescentou que 34 pessoas aguardam por leitos já garantidos. Ao todo, 1.644 estão internados na rede pública no município, sendo 674 em UTI.

Na rede estadual, onde há atraso na entrega de seis hospitais de campanha, apesar de a fila de espera estar em queda, ela ainda existe. Ontem, 68 pacientes com a doença em estado grave esperavam um leito de UTI no estado — um mês antes, no dia 7 de maio, eram 378. De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, a ocupação de UTIs está em 93% e a de enfermarias, em 72%. São 2.210 internados no total na rede pública estadual.






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