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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Saiba quais são os sintomas da falta de líquido no organismo

Idosos e crianças são mais vulneráveis a problemas decorrentes da falta de água no organismo; casos aumentam em dias de calor intenso

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O aumento da sensação de sede é, inclusive, um dos sintomas da desidratação, que se caracteriza pela falta de líquido no organismo. “Acontece quando a pessoa perde mais líquido do que ela toma”, diz o clínico geral Erico Oliveira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“[A desidratação] é uma causa relativamente comum de complicações em crianças e idosos. Para quem trabalha em hospital, como eu, isso se torna corriqueiro nessa época de calor”, observa Oliveira. “É preciso tomar cuidado mesmo com aqueles com quem você acha que isso não vai acontecer”, acrescenta.

A Secretaria de Estado da Saúde informa, por meio de nota, que entre agosto e outubro deste ano foram registradas 146 internações por desidratação nos hospitais estaduais, acometendo essencialmente pessoas acima dos 70 anos e crianças entre um e quatro anos de idade.

A pasta ressalta que estes dados se referem apenas a internações em hospitais sob gestão estadual, e não representam o total dos casos de desidratação no estado de São Paulo.

Em quadros de desidratação leves e moderados, além do aumento da sede, os principais sintomas são fraqueza, pressão baixa, cansaço e sonolência. Entretanto, o médico alerta que situações mais graves, comuns em dias de calor intenso, podem levar à morte.

“Pode haver câimbras, insuficiência renal, convulsões e até culminar em coma”, afirma. Ele explica que a convulsão acontece porque num quadro grave de desidratação o cérebro tem seu funcionamento prejudicado.

“A convulsão é uma atividade elétrica descontrolada do cérebro, que pode acontecer por causa da falta de água e pelas consequências dessa escassez, como uma concentração muito alta de sódio no sangue”, explica.

Ainda segundo, o especialista, quando acontecem ondas de calor — período com temperaturas máximas superiores à média usual para a época — há casos de idosos que falecem por causa do aumento da temperatura corporal. Consequentemente, há mais produção de suor, o que acelera a perda de água.

“Ocorre o aumento da perda de água pelo organismo, O idoso desidratado fica fraco e toma menos água, até pela dificuldade de se movimentar, e assim entra num ciclo vicioso de desidratação”, explica.

De acordo com o médico, pessoas com mais idade podem morrer em poucas horas. “Em dias muito quentes, com temperaturas acima de 35ºC, numa cidade como São Paulo, com poucas árvores, isso é muito perigoso”, alerta.

Ele acrescenta que além da dificuldade para se locomover, idosos têm uma percepção de sede menor se comparados a outras faixas etárias.

“Por isso, é importante manter uma garrafa de água perto deles para que bebam em horários fixos, não apenas quando sentem sede.”.

Já as crianças correm mais risco de sofrer desidratação porque, ao contrário, se movimentam mais e, com isso, a perda de água aumenta. Até os dois anos de idade, é recomendado ingerir entre 600 ml e 800 ml de água por dia.

“Se a criança estiver amuada, sonolenta e sem urinar, pode ser que esteja desidratada. É importante ter atenção durante as trocas de fralda”, aconselha Oliveira.

Ele afirma que, no geral, o corpo humano consegue resistir por alguns dias à falta de água, pois é preparado para lidar com situações extremas.

Entretanto, para adultos vale a regra clássica: tomar 2 L de água por dia. “Mas isso varia de acordo com cada um e depende de fatores como exposição ao sol, problemas de saúde e prática de exercícios, que exigem um consumo maior”, exemplifica.

“No final de ano, as pessoas bebem mais álcool, então urinam mais do que deveriam, por isso é importante tomar água ao mesmo tempo e ter cuidado, especialmente no calor”, acrescenta.

Em casos graves de desidratação o tratamento é feito com soro intravenoso. “A gente parte do pressuposto de que a pessoa não vai conseguir tomar nenhum líquido porque está muito fraca, então fazemos a aplicação direta”, esclarece.






R7

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