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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

CAMPOS: Arquivo Público encontra documento de grande valor histórico

Auto de Requerimento sobre bens deixados pelo Visconde de Asseca faz “raios X” de duas fazendas do Século XIX com quase 500 escravos. O documento é de 1846.
 Foto: Antônio Cruz
A história de Campos dos Goytacazes acaba de ser “premiada” com um verdadeiro achado. A equipe de restauração do Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, na Baixada Campista, localizou entre o material há anos recebido do velho Arquivo Cartorário do antigo Fórum de Campos, um Auto de Requerimento de inventário dos bens do 7º Visconde de Asseca, o português Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara. Sem detalhar limites das propriedades, o documento de meados do Século XIX cita as numerosas posses acumuladas pela família no município desde a ocupação em 1677.

— Trata-se de uma procuração para desmembrar e vender as propriedades para quatro senhores de engenho. Ela revela detalhes de Campos e região, sobre o quadro fundiário da época, retratando a força da mão de obra escrava que ainda havia por aqui poucas décadas antes da abolição. Eram quase 500 escravos nas duas propriedades, um número impressionante — avalia a diretora do Arquivo Público, historiadora Rafaela Machado.

O total era de 495 escravos nas duas propriedades, sendo 378 na maior delas, a “Fazenda do Visconde”. A outra era a “Fazenda do Cupim”. Mesmo sem a possibilidade de delimitar as “fronteiras” das fazendas, é possível identificar que a primeira delas abrangia área que ia do atual bairro de Donana e áreas próximas, até grandes partes da Baixada Campista, avançando ainda para parte do atual município de São João da Barra. A segunda iria de parte do que é hoje a parte oeste da área urbana da cidade, até limites com o rio Ururaí, incluindo o trecho onde ficava a Usina Cupim.

As 15 páginas do documento de 1846, relativamente bem conservado, mostra ainda que nas propriedades havia numerosos bens, como “campos” de criação de gado, engenhos de açúcar, alambiques, olarias, capelas, enfermarias e, nas sedes, as senzalas para abrigar os escravos.

Posteriormente, obras de autores campistas mostram que as fazendas foram desmembradas e vendidas para Gregório Francisco de Miranda (Barão de Abadia), José Martins Pinheiro (Barão da Lagoa Dourada), Joaquim Manhães Barreto e também Domingos Pereira Pinto, os dois últimos, genros do Barão de Abadia. Com apenas 26 anos, o 7º Visconde de Asseca viria a morrer em Portugal, em 1852, em seis anos, após da redação do Auto de Requerimento de inventário achado no Arquivo Público Municipal.

— Depois de realizarmos toda a avaliação e levantamento das informações do Auto de Requerimento, vamos providenciar a restauração do documento, para que, o mais rápido possível, ele esteja à disposição dos pesquisadores, porque esse é o objetivo, disponibilizar ao público os registros da história do município — conclui Rafaela.








Supcom

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