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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Crianças tentam atear fogo em morador de rua em Travessão

Fotos: Genilson Pessanha
A Polícia Civil apura o ataque de três crianças, de 9 e 12 anos, a um morador de rua, no distrito de Travessão, na noite dessa quarta-feira (11). Um vídeo que circula em redes sociais mostra dois menores ateando fogo a papéis que estavam próximos ao local onde o homem, de 25 anos, estava deitado. O fogo teria atingido o cobertor do morador de rua e se espalhado por suas roupas. O comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Luiz Henrique Monteiro, informou que os menores foram identificados e encaminhados, com as mães, para a 146ª Delegacia de Polícia (Guarus), na tarde desta quinta-feira (12). Logo depois, a vítima, que seria de São Francisco de Itabapoana (SFI), e o autor do vídeo, morador do distrito, também foram localizados e ouvidos na DP.

— A Polícia Militar já agiu e foi até a casa de um menor para levá-lo, com a mãe, para a delegacia. Também identificamos o segundo menino que aparece no vídeo e chegamos ao terceiro. Não recebemos chamados no 190 e não houve registro do fato até o momento em que iniciamos a averiguação. Tomamos conhecimento pela mídia e o DPO (Destacamento de Policiamento Ostensivo) de Travessão agiu e adotou as devidas providências. As buscas tiveram prosseguimento e conseguimos chegar à vítima — ressaltou o comandante.
A equipe do DPO de Travessão localizou os menores com a ajuda de moradores do distrito. Conforme informações da PM, os meninos moram em Travessão e são amigos. A motivação para atearem fogo ao homem ainda não foi divulgada. OS PMs também localizaram o morador de rua, que foi ouvido na delegacia ainda nesta quinta-feira. O homem não teria se ferido ou precisado de atendimento em unidade de saúde.

De acordo com a delegada Pollyana Henriques, até 12 anos, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que disciplina as condutas quando a criança é vítima ou autora, ela não responde por fato algum. Quem tem de 12 a 18 anos é adolescente e responde por fato análogo ao crime. “No momento, estamos colhendo os depoimentos e precisamos que essas idades reveladas pelas mães sejam comprovadas por meio de documentos. Até 12 anos, a intenção do Direito é proteger a criança. Se ela praticou um fato entende-se que a família dela tem que ser verificada. Se tem duas crianças que têm capacidade para colocar fogo nos pertences de uma pessoa na rua, ela está com alguma falha familiar. A família não vai responder pelo que ela fez, mas passará por acompanhamento”, ressaltou.

O Conselho Tutelar acompanhou o caso na DP e será acionado oficialmente assim que o registro for realizado na Polícia Civil. “Até hoje à tarde, nenhuma denúncia havia chegado ao Conselho, que será acionado com a apresentação dos menores e o registro de ocorrência na delegacia”, contou a coordenadora do Conselho Tutelar II, Rose Gonçalves, lembrando que casos como o dos três meninos podem ser informados ao órgão, que funciona na rua Tancredo Neves, 109, no Jardim Carioca, ou pelo telefone 98826-4225.

Segundo o coordenador do Centropop, Ederton Rossini, que esteve, juntamente com uma equipe, na delegacia, a vítima tem 25 anos, é morador de SFI, no bairro Imburi de Cacimbas, e sofre de problemas psiquiátricos. Ele vendia picolé no distrito de Travessão, onde passa a noite nas ruas. “Tivemos ciência hoje do ocorrido durante o dia, através das redes sociais e órgãos da imprensa. Sem a informação do nome dele não foi possível, de início, saber se ele tinha ficha conosco, se era uma pessoa de fora de Campos. Agora, no final da tarde, liguei para a delegacia e o inspetor informou que a pessoa que foi vítima estava sendo conduzida para ser ouvida. Então, nós viemos e conversei com ele. Visualmente, foi possível ver que não tinha ferimentos. Ele é paciente psiquiátrico, relatou que esteve por um tempo no Abrigo João Viana e no Henrique Roxo. Ele ainda está um pouco desorientado, a fala está um pouco confusa, certamente por conta do ocorrido”.

O coordenador informou, ainda, que os serviços do órgão foram oferecidos ao homem. “Ofertamos os serviços do Centropop, que é alimentação, atendimento pela equipe técnica, higiene pessoal, espaço para guardar os pertences, emissão de segunda via de documentos, que não tem, serviços de acolhimento, onde ele pode dormir e tomar banho. Explicamos que somos da assistência social e não da saúde mental, porque no início ele estava fazendo uma confusão em relação a isso. Para o acolhimento, é necessário que a pessoa queira estar acolhida. Ele disse que vai alugar uma casa e que pessoas ficaram de ajudá-lo. Disse que nesta noite não teria onde ficar e após ser ouvido vamos levá-lo para o acolhimento, se for do desejo dele”, acrescentou.

O caso gerou repercussão nas redes sociais e internautas questionaram o motivo de o autor do vídeo não ter socorrido o morador de rua, e ele se justificou. “Quando os meninos foram nas duas primeiras vezes, é claro que fui lá e, como não consegui pegá-los, porque eles correm muito, alertei o mendigo para não dormir naquela hora, porque as crianças iriam voltar. Elas voltaram e eu filmei, aí elas pararam, mas minutos depois voltaram sem o fogo, mas voltaram a atentar o mendigo, pegando a sandália dele”, se defendeu.



Folha 1

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