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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Lutador e professor de academia preso por suspeita de agressão à namorada

Um homem, lutador de Muay thai e professor de uma academia em Campos, foi preso, na madrugada desse domingo (18), por suspeita de agredir a namorada, uma médica. A vítima foi socorrida pelo suspeito para o Hospital Ferreira Machado (HFM), unidade em que trabalha. Ele teria alegado que o casal teria sofrido um acidente de carro. Já na manhã desta segunda-feira (19), outra mulher, vítima de agressão doméstica, esteve na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) em busca de ajuda. 
Camila Silva
Segundo a Polícia Civil, o policial que fica na unidade hospitalar desconfiou da versão apresentada pelo lutador, devido aos ferimentos da vítima, e ele foi preso em flagrante. Após pagamento de fiança, no valor de R$ 10 mil, o suspeito foi liberado.

A vítima ainda não pôde prestar depoimento porque não estaria conseguindo se comunicar devido aos ferimentos, mas é aguardada na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), na tarde desta segunda-feira. Ela recebeu alta do HFM nesta manhã, de acordo com a Prefeitura de Campos, que, em nota, afirmou que "lamenta imensamente o ocorrido e se disponibiliza ao auxílio no que for necessário. Através do 180, denúncias podem ser feitas à Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. A ligação preserva anonimato. O serviço funciona 24h todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriado. Os Centros de Referência Especializados de Serviço Social (Creas) mais próximos também podem ser buscados".  

Também em nota, por meio de redes sociais, a academia na qual trabalha o suspeito informou que ele será desligado da unidade e que “não procede a informação de que (a direção) efetuou qualquer pagamento de fiança ao mesmo”.

Membro do coletivo Nós por Nós, que auxilia vítimas de agressão e abusos, a jornalista Julia Oliveira demonstrou indignação diante dos relatos de violência à mulher. 

— A situação está absurda, alarmante, desesperadora. A gente faz parte desse coletivo que tem uma rede de apoio. A gente acompanha algumas vítimas que têm condições de vir à delegacia. No caso dela, ela está muito machucada. Parece que saiu de manhã do hospital. Os casos estão absurdos, e as negligências das autoridades não têm explicação. As mulheres estão morrendo. A gente não sabe mais o que fazer. A gente fez um movimento ontem (domingo) para a academia se posicionar. Fizeram um posicionamento horroroso e, depois, se retrataram, dizendo que iriam afastar o lutador da academia. O país inteiro deveria ter mais segurança para essas mulheres, que estão morrendo todos os dias. 

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que, inicialmente, o caso foi registrado como "lesão corporal no âmbito da violência doméstica e, conforme determina a lei, o pagamento da fiança pode ser arbitrado quando a pena não ultrapassar quatro anos. De acordo com a DEAM de Campos, a investigação está em andamento, a vítima será ouvida e encaminhada para exame de corpo de delito para avaliar a gravidade das lesões. Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias do fato".

Outro caso — Também nesta manhã, outra vítima de violência doméstica, acompanhada pelo coletivo Nós por Nós, esteve na delegacia para pedir auxílio. Jakeline Maysa Rangel Barcelos, de 46 anos, tem três filhos. Ela viveu 11 anos com companheiro, dez deles sendo agredida.

A primeira vez que denunciou a agressão foi em 2016, na Deam, mas foi dito que ela se autolesionou. Em 2018, quando o homem quase quebrou a clavícula dela, na casa do pai, a vítima fez nova denúncia e conseguiu a medida protetiva.

No dia 4 de abril deste ano, mesmo com a medida, que até hoje o suspeito alega não ter recebido, ele tentou matá-la. Com o Ministério Público, a mulher conseguiu um mandado de prisão contra ele por tentativa de feminicídio, em maio deste ano. A Deam não teria solicitado o mandado porque ele teria recebido a medida. O filho dela conseguiu descobrir onde o ex-padastro está residindo, em Venda Nova, mas o homem permanece solto.

— Ele quase foi preso no sábado. Eu acredito, sim, que, se hoje ele me encontrar, ele vai me matar. Eu não estou em segurança. A polícia não me dá essa segurança. Eu tenho medida protetiva, o que serve para limpar as lágrimas do meu filho no dia em que eu morrer. De nada serve a medida. Para mim, não. Eu tendo medida protetiva, ele entrou na minha casa. Porque, de acordo com a Deam, se ele não recebeu a medida, não está infringindo lei nenhuma. Então, não pode ser preso — relatou. 

Após conversar com a equipe de reportagem, no pátio da delegacia, Jakeline, chorando, pediu ajuda ao delegado da 134ª DP quando ele saía. Bruno Cleuder respondeu que os inspetores estão trabalhando para resolver o problema dela. 



Fonte: Folha 1

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