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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Empresa ameaça retirar contêineres da UFF por atraso de pagamento

A empresa NHJ do Brasil Conteiner Matriz, com sede no Rio, ameaça retirar, no dia 20 de maio, os contêineres que funcionam como salas de aula, laboratórios e setores administrativos e estão instalados há dez anos na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos. 

O motivo seria sete meses de atraso no pagamento do aluguel, totalizando uma dívida de R$ 1,5 milhão. A situação financeira foi apresentada durante reunião no pátio da universidade, na tarde desta quinta-feira (2), e contou com a presença de centenas de alunos. Uma comissão — formada por estudantes, professores e técnicos — busca medidas alternativas para o problema. Entre as apresentadas foi a realocação dos alunos para a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) ou o Instituto Federal Fluminense (IFF). Atualmente, 80% dos mais de três mil alunos matriculados na instituição têm aulas nos contêineres.
Foto: Genilson Pessanha

Segundo o diretor do campus UFF Campos, Roberto Cesar Rosendo, o valor das mensalidades dos contêineres é de R$ 155 mil, e ao longo dos dez anos se chegou a um investimento de R$ 25 milhões. Eles passaram a ser alugados como medida provisória, uma vez que o plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), proposto pelo ministério da Educação (MEC), previu, além do aumento do número de vagas em cursos, a construção de dois grandes prédios do novo campus da UFF, em Campos, na avenida XV de Novembro, próximo à ponte de ferro. No entanto, a crise nacional paralisou as obras há cinco anos e o que antes era uma medida provisória, passou a ser permanente.

— Isso porque se previu o aumento do número de vagas em cursos, mas não a expansão da infraestrutura neste campus. Agradeço aos reitores da Uenf e IFF, que se propuseram a abrir as portas para os nossos alunos. A alternativa está sendo discutida, porém, não há definição até o momento. O cenário de recessão econômica já vinha se arrastando e, agora, se agrava ainda mais, já que, esta semana, o ministério da Educação anunciou o bloqueio de 30% do orçamento da instituição no país, que recebe cerca de R$ 1,9 bilhão anualmente — disse o diretor, ressaltando que são três blocos de contêineres.

De acordo com o reitor da Uenf, Luís César Passoni, a instituição se mostra sensível à crise enfrentada pela UFF, no entanto, as salas que seriam disponibilizadas para a realocação dos estudantes seriam muito aquém às necessidades da instituição. Já o reitor do IFF Campos, Jefferson Manhães, informou que “não houve movimentação de qualquer conversa desse nível com a reitoria do campus. No entanto, podemos tentar buscar soluções com a UFF, dentro de nossas possibilidades”, disse.

O aluno do 1º período do curso de História Leon Diego Delpino, de 30 anos, que frequenta o laboratório de informática no contêiner, participou da reunião e se mostrou preocupado com a situação da UFF. “Como estudante me preocupo com o futuro da universidade. Nós, alunos, queremos a permanência dos contêineres na unidade”, disse.

Na próxima terça-feira (7), está previsto um ato em defesa da universidade, cujo local não foi definido.

A Folha da Manhã tentou contato com a empresa NHJ do Brasil Conteiner Matriz, mas até o fechamento desta matéria não obteve respostas.

Medida do MEC — Sobre o bloqueio de 30% do orçamento, o ministério da Educação informou, por meio de nota, na última terça-feira (30), que “o critério utilizado foi operacional, técnico e isonômico para todas as universidades e institutos, em decorrência da restrição orçamentária imposta a toda Administração Pública Federal por meio do Decreto n° 9.741, de 28 de março de 2019.



Folha 1

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