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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Presidente da Petrobras: risco de greve deve ser considerado


Segundo Castello Branco, caminhoneiros ganharam poder de barganha
Foto: Sergio Moraes / Reuters
Duas semanas após o presidente Jair Bolsonaro pedir para a Petrobrás segurar o reajuste do preço do diesel por conta da ameaça de uma greve dos caminhoneiros, Roberto Castello Branco, presidente da estatal, disse ao Estadão/Broadcast que esse assunto já está superado. A decisão levou a companhia a perder R$ 32 bilhões em valor de mercado no dia 11 de abril e criou um temor entre investidores de que o governo voltasse a interferir na política de preços de combustíveis.

Segundo Castello Branco, a Petrobrás não pode subsidiar o preço do diesel porque cria um problema sério para o Brasil. "Não quero que os eventos do passado se repitam (ingerência na política de preços). Mas desconsiderar os riscos de uma greve é temerário", disse. O executivo reconhece que os caminhoneiros ganharam poder de barganha - em maio do ano passado, a categoria parou o País por 10 dias. Pedro Parente, que presidia a estatal à época, renunciou ao cargo após o governo de Michel Temer suspender reajuste ao diesel por causa da greve.

O executivo afirmou que em nenhum momento pensou em deixar a Petrobrás por causa da polêmica sobre o reajuste do diesel. "Minha preocupação era como eu poderia contornar a crise sem violar qualquer crença minha. Quero melhorar a Petrobrás. Se eu sentir que vou fracassar, não tenho mais nada a fazer, não vou comprometer a minha credibilidade. Demissão é um ato que se executa, e não se ameaça. Não é inteligente fazer isso."

O executivo afirmou que tem um diálogo construtivo com Brasília, sobretudo com a equipe econômica. "O governo nunca fez menção de intervir na companhia." E essa postura, segundo ele, tem sido importante para que a estatal acelere seus planos de vendas de ativos considerados não estratégicos.

Venda de ativos
Neste ano, a estatal conseguiu levantar US$ 10,3 bilhões com os desinvestimentos. Deste total, US$ 8,6 bilhões foram com a venda da TAG, gasoduto vendido para a francesa Engie. A companhia também se desfez da plataforma do campo de Tartaruga Verde (comprada pela empresa Petronas, da Malásia, por US$ 1,3 bilhão) e do polo do Riacho da Forquilha, arrematada pela baiana PetroRecôncavo, por US$ 384 milhões.

"É o maior plano de desinvestimento de ativos da história da Petrobrás. Boa parte dos recursos será usada para reduzir a dívida da companhia. Vamos nos concentrar na produção e exploração de petróleo e gás natural", disse.

A Petrobrás pretende vender parte de suas refinarias, de sua participação na petroquímica Braskem, da Liquigás (botijão de gás), de ativos não estratégicos fora do País, e tem estudos para se desfazer de suas distribuidoras de gás em todo País.

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