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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Óleo preto e denso no mar de Arraial, Búzios e Cabo Frio, RJ, será analisado; há suspeita de ser petróleo

Operações para retirada do material, que chegou às areias, começaram às 6h desta quinta-feira (4). Resultado de análises deve ser divulgado nesta sexta-feira (5).
 Foto: Reprodução Inter TV RJ
Placas de óleo preto e denso surgiram e se espalharam por praias de Arraial do Cabo, Armação dos Búzios e Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, nesta quarta-feira (4), surpreendendo banhistas e intrigando especialistas. A secretaria de Ambiente de Arraial divulgou nesta sexta (5) que suspeita que o material seja petróleo.

"A gente acredita que seja petróleo de uma operação de alguma plataforma. O óleo foi colocado em um saco e ele derreteu o saco. Isso não é um óleo combustível. Óleos combustíveis não causam este efeito em contato com o plástico", disse Arildo Mendes, secretário de Ambiente de Arraial do Cabo.

Nesta sexta, por meio de nota, a Petrobras disse que foi notificada pelo Ibama para realizar a coleta do material. A estatal disse ainda que a massa oleosa é desconhecida e que está atuando junto aos órgãos ambientais para identificar a procedência do óleo.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) coletaram amostras do resíduo na Prainha e nas Prainhas do Pontal do Atalaia, em Arraial do Cabo. O material foi entregue ao Ibama para análise, segundo o Inea, que ainda usou um drone na inspeção e avalia a extensão das manchas.

Em nota, o Inea afirmou ainda que a Petrobras e Marinha também coletaram amostras do óleo com o objetivo de identificar se o mesmo teve origem nas embarcações da estatal ou de outros navios que passaram na região.

"As equipes constataram que o resíduo oleoso pode ser oriundo de um vazamento antigo, pode ter ocorrido distante da costa e ter sido trazido pelas correntes marítimas para as praias da região", disse o Inea em nota encaminhada à imprensa na noite desta quinta.

O secretário de Ambiente de Arraial do Cabo disse que o acesso às praias afetadas foi interditado durante a manhã para a retirada do material que chegou à areia.

"Tentamos evitar ao máximo um maior impacto, agindo imediatamente. Não há poluição. A interdição foi para a retirada do material das areias", disse Arildo.

O secretário reforçou ainda que o impacto ambiental existe e será mensurado após a operação de coleta do material das águas e análise dos órgãos ambientais.

O MPF acompanhou a ação e falou sobre a importância das fiscalizações dos órgãos.

"Em poucos meses nós já estamos no segundo absurdo ambiental na área de conservação da Ressex Marinha de Arraial do Cabo. Isso mostra como é necessária a fiscalização ambiental de órgãos com o Inea e ICMBio. Os ataques ao meio ambiente são enormes", afirmou Leandro Mitidieri, procurador do MPF.

O procurador disse ainda que, a partir do laudo apresentado pelos órgãos, será aberta uma investigação criminal sobre o caso.

O secretário de Ambiente informou que acredita que informações sobre as análises sejam divulgadas já nesta sexta-feira, mas destacou que isso ainda não indica de onde o óleo veio.

"Não teremos o responsável, mas isso já é um caminho para irmos em busca dos responsáveis", disse Arildo Mendes.

Além dos impactos ambientais, o despejo do óleo também deixou donos de barcos e pescadores insatisfeitos.

"Hoje nós não saímos de barco pra evitar que suje mais a água. A maioria das pessoas da colônia vive da pesca, a Semana Santa tá chegando e ninguém pode pescar por causa dessas condições", contou o pescador Francisco José.

Cabo Frio e Búzios

A mancha de óleo também se espalhou pelas águas de Armação dos Búzios, onde banhistas alertaram sobre a presença do material na Praia Brava.

Agentes da Guarda Marítima e Ambiental da cidade recolheram na quarta-feira (3) amostras do material para análise.

Em Cabo Frio, a Prefeitura informou que a mancha de óleo avistada por pescadores na última quarta-feira (3) no litoral de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios não afetou a balneabilidade das praias de Cabo Frio.

Ainda segundo o município, as placas pretas apareceram em pequena quantidade nas Praias da Conchas e no Peró, mas estão sendo recolhidas por equipes de limpeza da Comsercaf.

“A quantidade que veio parar em nossas areias está sendo rapidamente recolhida pelas equipes de limpeza, pois se concentram na área entre o Hotel Âncora, na Praia do Peró e a Praia das Conchas, e não afetaram a balneabilidade de nenhuma praia", disse Mario Flavio Moreira, coordenador de Meio Ambiente de Cabo Frio.

De acordo com o coordenador, o município já acionou o Inea e o órgão informou que vai enviar uma equipe especializada em derramamento de óleo para Cabo Frio para verificar o material encontrado.

"Provavelmente, esse material é resultado da limpeza dos porões de um rebocador ou de um navio plataforma, que inclusive foram avistados nas imediações do nosso litoral”, completou o coordenador de Meio Ambiente.

A reportagem aguarda uma posição do Ministério do Meio Ambiente sobre o prazo para o resultado das análises.


G1

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