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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Após ouvir vítima novamente, titular da Deam faz pronunciamento

Daniela Abreu
A Delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), Ana Paula Carvalho, que assumiu, na última segunda-feira, o caso da denúncia de agressão feita pela ex-companheira do DJ Moranes, falou com a imprensa na noite desta quarta-feira (03), sobre os rumos do caso, diante da confirmação de perfuração do tímpano da vítima, após laudo do Hospital Ferreira Machado (HFM), que contesta o laudo inicial emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) de Campos, no dia do fato. 

A delegada comentou sobre a nota emitida pela unidade, sobre o comportamento dos agentes da unidade em redes sociais e frisou que a lesão é considerada qualificada, em caso de dano permanente, sendo necessário o acompanhamento da recuperação da vítima nos próximos três meses, o que pode também alterar a acusação. Ela disse ainda que uma possível prisão pode ocorrer em caso de descumprimento de medidas protetivas.

A delegada disse, que só tomou conhecimento da perfuração do tímpano, na última terça (02), após a postagem da vítima em rede social e que a nota da Deam, divulgada antes, foi baseada no laudo pericial do IML, para evitar que se concluíssem as ameaças feitas ao denunciado, em rede social.

— Eu não quis, em momento nenhum, desmentir a vítima. Até porque, está constatado que ela foi agredida — disse Ana Paula, destacando que, até então, o que havia eram boatos na internet e que a nota da vítima saiu bem mais tarde.
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Ainda de acordo com a delegada, no laudo do IML consta lesão por ação contundente e sem apontamento  para possibilidade de danos mais graves. “Quando vêm os quesitos, que são as qualificadoras da lesão, o perito botou que não. Embora ele não tenha feito nenhuma observação, ‘a depender de exame complementar', de avaliação por especialista, ele orientou, verbalmente, que ela (vítima) fosse a um otorrino. Mas, materialmente, para a sede da lavratura, nós delegados, nos baseamos no que o perito fala. Então, aqui está o laudo, o perito botou não, ou seja, seria só lesão corporal leve”.

Ana Paula contou que a denúncia ocorreu na manhã de domingo e que a vítima saiu da delegacia por volta das 11h30 para o exame de corpo de delito. Segundo ela, o atendimento do Hospital Ferreira Machado ocorreu às 20h da última segunda (01), cerca de 32 horas depois do exame no IML, não havendo sido comunicado à Deam posteriormente.
A delegada disse que a vítima esteve novamente na delegacia e que, em novo depoimento, disse que falou com o legista sobre o incômodo no ouvido. De acordo com ela, o exame do IML é “mais a nível visual” e para constatar o rompimento de tímpano, seria necessário um exame mais detalhado. Segundo ela, o médico legista agora vai fazer um exame complementar, em cima da documentação médica encaminhada pelo HFM.

Segundo Ana Paula, os médicos do HFM disseram que pode haver regeneração natural do tímpano. Caso contrário a vítima poderá ser submetida a cirurgia. Em caso de dano permanente, a lesão corporal passa ser considerada qualificada, o que vai depender da recuperação da vítima nos próximos três meses. Em caso de lesão leve, o denunciado, se condenado, pode pegar uma pena que varia de três meses a três anos de prisão. Em caso de lesão permanente a pena vai a oito anos. Há ainda chances do denunciado ser novamente preso, se houver desrespeito às medidas protetivas, que ainda não foram analisadas por juiz. O DJ também vai ser ouvido novamente, assim como outras testemunhas.

Exposição na internet – Na última segunda (01), dentre as dezenas de comentários na internet, estava também o da inspetora que assinou a ocorrência. Na última postagem do DJ, no Instagram, ela escreveu: “Deixe a vida alheia em paz galera! Coisa chata!”. A publicação gerou revolta e recebeu diversas respostas alertando que violência doméstica “não é questão de vida alheia”, como orientam diversas campanhas públicas.

Perguntada se tinha conhecimento do assunto, Ana Paula disse que a inspetora alegou ter sido mal interpretada. “Eu fiquei sabendo agora, por um amigo da vítima. Eu não sabia que era na página dele. O que ela me falou é que se manifestou, não como policial, na rede pessoal dela, e que ela queria dizer que era para parar com esse burburinho e deixar a providência da Justiça andar”, disse.

Perguntada se esse seria o comportamento ideal para os agentes, por passar noção de posicionamento oficial ao público, Ana Paula disse: “Ela não me pediu autorização. Quando eu cheguei aqui e vi a proporção que estava tomando, o negócio já tinha explodido. O que eu pedi era para os meus policiais foi para não falarem sequer com a imprensa, muito menos em rede social. Agora, eu não estou controlando o que ninguém está fazendo no seu ambiente particular”, finalizou.

Como o caso ocorreu no domingo, a ocorrência é assinada pela delegada que assumiu o plantão de área das três delegacias de Campos, no final de semana. 


Folha 1

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