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segunda-feira, 18 de março de 2019

Momo ressurge em vídeos infantis no YouTube e ensina técnicas de suicídio

Publicações teriam conseguido enganar os algorítimos que cuidam da segurança da plataforma.
Reprodução
Na última semana, tornou-se de conhecimento público que a Momo, aquela mesma boneca assustadora que aparecia em desafios online de suicídio, havia retornado, dessa vez para o YouTube. Na versão da plataforma para crianças, a Momo aparece disfarçada em vídeos de slime, por exemplo, que são muito consumidos pelo público infantil.

Quem fez a denúncia foi a professora Juliana Tedeschi Hodar, de 41 anos, moradora de Campinas. Ela disse que um vídeo chegou até ela via WhatsApp e, quando ela foi alertar sua filha sobre o que estava acontecendo, foi surpreendida pelo fato de que Bianca, de 8 anos, já tinha tido assistido ao conteúdo diversas vezes e ficado bastante assustada com ele. “[Ela] disse também que estava com muito medo de dormir sozinha, de sonhar com a personagem ou de vê-la saindo de dentro do armário. Foram minutos bem complicados para nós”, contou a mãe.

O caso chegou até outros pais que, preocupados, entraram em contato com o YouTube. Até mesmo a socialite Kim Kardashian usou o Instagram para alertar os funcionários da plataforma sobre o que está acontecendo. A maior preocupação é que as pessoas que estão publicando esses tipos de conteúdo no Youtube Kids estão conseguindo burlar os algorítimos do sistema, que deveriam filtrar postagens para que só coisas seguras cheguem até as crianças. Não é o que está acontecendo. “Depois de muita análise, não vimos nenhuma evidência recente de vídeos promovendo o Desafio Momo no YouTube. Vídeos incentivando desafios prejudiciais e perigosos são claramente contra nossas políticas, incluindo o desafio Momo. Apesar dos relatos da imprensa sobre esse desafio, não tivemos links recentes sinalizados ou compartilhados conosco do YouTube que violem nossas Diretrizes da comunidade”. assegurou o YouTube em carta oficial.

Muitos pais, continuam preocupados, pois, se a segurança já falhou uma vez, pode falhar outras – sem contar na quantidade de crianças que já foram expostas aos conteúdos envolvendo a Momo, que estimula o suicídio e ensina técnicas de como se matar, como jeito infalíveis de cortar os pulsos.

Em julho de 2018, o polêmico “perfil amaldiçoado do WhatsApp” envolvendo a boneca assustadora viralizou. Na verdade, tudo não passa de uma lenda e a Momo, na verdade, é a foto da escultura “Mulher Pássaro”, que faz parte do acervo do Museu Vanilla Gallery, em Tóquio, no Japão. Contudo, os efeitos nocivos trazidos pelos conteúdos envolvendo a figura são reais e devem ser tratados com muito cuidado, principalmente em uma realidade em que ansiedade e depressão afetam tantos jovens que têm acesso ilimitado à internet.

Por Isabella Otto | Capricho

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