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quarta-feira, 13 de março de 2019

Ben Affleck e Oscar Isaac estrelam filme na fronteira com o Brasil que estreia nesta quarta-feira

Apesar de elenco com latinos, 'Operação fronteira' não foge de estereótipos
'Operação fronteira', que chega nesta quarta ao catálogo da Netflix Foto: Divulgação / Netflix
NOVA YORK - Quando se ouve falar sobre um filme sobre uma tríplice fronteira na América do Sul que une Brasil, Argentina e Paraguai, a primeira imagem que vem à cabeça é a de uma trama mostrando o contrabando ou o tráfico de armas envolvendo os três países e com imagens aéreas das Cataratas do Iguaçu, da usina hidrelétrica de Itaipu ou algo do gênero.

“Operação fronteira”, que chega nesta quarta-feira ao catálogo da Netflix, no entanto, não tem absolutamente nada relacionado a isso. Estrelado por Oscar Isaac, Ben Affleck e Pedro Pascal (“Game of thrones” e “Narcos”), o longa dirigido por J.C. Chandor, também corroteirista ao lado de Mark Boal (este, vencedor do Oscar por “Guerra ao terror”) é apenas mais um filme de Hollywood que usa a América do Sul como um cenário genérico para que um grupo de militares americanos prematuramente aposentados possam reviver suas aventuras e, também, faturar algum dinheiro.

A trama é centrada no personagem de Oscar Isaac, ator de origem guatemalteca que se tornou famoso pelo papel do piloto Poe Dameron na terceira trilogia da saga “Star Wars”. Desiludido com a corrupção e com os poucos resultados de sua luta contra o tráfico de drogas, ele propõe uma empreitada arriscada a seus melhores amigos: roubar uma fortuna em dinheiro, que pertence a um dos maiores traficantes do continente, escondida na floresta.

Em conversa por telefone, Isaac comentou que o plano de retratar a tríplice fronteira com certa fidelidade foi abandonado a partir do momento em que o roteiro foi se desconectando de questões políticas, tornando-se um mero filme de ação. 

— Originalmente, em 2011, quando surgiu a ideia do filme, seria sobre aquela fronteira. Mas a história se distanciou daquele local e criamos essa fronteira fictícia. O espectador não vai conseguir identificar direito em qual país a ação se concentra. Foi intenção do diretor deixar a região totalmente incógnita.

Tão incógnita que fica difícil até mesmo de entender por que o título no original em inglês (“Triple frontier”) foi mantido, já que as três fronteiras não chegam a ter qualquer papel preponderante nas ações dos personagens.

Assim como a ideia inicial do filme, o plano dos personagens também não sai como o esperado, e a trupe tem que desvencilhar da enrascada em que se meteu.

Limites da ambição
O personagem de Isaac tem um conflito moral muito batido no que diz respeito a policiais que combatem o tráfico de drogas. Sua desilusão com o sistema o leva a se tornar também um fora da lei.

— Na verdade, ele toma essa decisão em prol dos amigos que trabalharam com ele e são soldados incríveis, mas que não estão em uma situação muito confortável. É muito difícil, depois de viver essa vida de combate, voltar a ser um civil. Durante seu trabalho na América do Sul, ele assina um contrato independente com o governo local. Ele percebe que a corrupção é generalizada e que nada vai mudar. Então vê nessa nova missão uma oportunidade de fazer algo realmente relevante para ele e seus amigos.
O filme discute os limites da ambição muito mais que questões geopolíticas. E não escapa ao clichê hollywoodiano sobre a América Latina: tráfico de drogas, corrupção e muita pobreza. Tudo o que os latino-americanos estão fartos de ver na TV e no cinema e que não reflete a realidade da maioria da população do continente. Questionado sobre isso, o ator responde que “Operação fronteira”, na verdade, foge ao clichê sobre a América Latina.

— Acho que o filme é uma importante alegoria sobre como os Estados Unidos interferem militarmente em países latino-americanos. Inicialmente eles se apresentam como a solução de um problema, mas posteriormente acabam por encontrar uma maneira de também lucrar com isso.

Estereótipos evitáveis

Ele destaca ainda que o filme tampouco segue a fórmula do grupo de brancos americanos que se aproveitam das fragilidades do povo latino-americano para posar de heróis.

— O meu personagem não foi escrito para ser latino, mas acabou se tornando. Acho que temos aqui uma grande oportunidade de fazer um filme que não mostra um bando de americanos brancos indo lutar contra os latinos malvados — diz Isaac. — Os produtores pensaram se não seria melhor que o personagem principal fosse latino e tivesse uma conexão emocional com aquele local. Isso para mim é o mais importante, porque escolhemos uma narrativa que não reforçasse o estereótipo.

Mesmo assim, o filme não apenas reforça estereótipos como não consegue escondê-los apenas por ter um protagonista de origem hispânica. É apenas mais um filme de ação que utiliza um cenário natural espetacular na tentativa de dar profundidade a uma história trivial e batida.

O Globo

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